ETNIA YAWANAWA

Com grande alegria, anunciamos pela primeira vez em São José do Rio Preto, a vinda da Pajé Hushahu Yawanawa, a primeira mulher a ser iniciada nas dietas da floresta, e preparada pelo Pajé e Xamã mais antigo de sua aldeia, Tatá Ywawanawa, falecido em 2016 com mais de 100 anos de idade.
Hushahu virá acompanhada por Hukena Yawa e Keneweci, mulheres nativas e guardiãs da cultura e espiritualidade Yawanawa, vindas da Floresta Amazônica, tendo sua aldeia situada no estado do Acre, Brasil.
O povo indígena Yawanawa, é reconhecido por sua alegria de viver, vigor, espiritualidade e pela força e beleza de seus cantos, pinturas corporais e artes.
Será uma Jornada de 3 dias, acessando os tradicionais rituais indígenas, com Uni (ayahuasca) e Rume (rapé), trazendo a força, a espiritualidade e a sabedoria ancestral do povo Yawanawá, tronco dos primeiros guardiões e feitores dessas medicinas Sagradas em nosso país.

Os rituais de UNI (Ayahuasca) e RUME (Rapé), serão conduzidos por essas três lideranças indígenas, segundo a tradição de sua cultura.
Elas nos brindarão compartilhando seus caminhos, suas vidas dedicadas ao estudo das medicinas da floresta e do conhecimento dos seus ancestrais.
Nos últimos anos, elas tem viajado pelo Brasil e pela Europa, conduzindo cerimônias espirituais e círculos de mulheres.

Apoiando o trabalho Yawanawa, teremos o Temazcal, um ritual de cura dos povos mesoamericanos.
O Temazcal pós ritual de plantas de poder, tem a função de aterramento, limpeza física e harmonização energética, ensinamentos e insights finais.
Este será conduzido por Ricardo Iztlimitl, batizado no círculo sagrado da “Dança do Sol – Tonal Mitotianiliztli” como “Iztlimitl”, Flecha de Obsidiana, na tradição Tolteca-Azteca.

Um pouco mais sobre a história de Hushahu Yawanawá:

As primeiras mulheres yawanawá que passaram pela formação para tornarem-se pajés:

Hushahu e sua irmã Putani,são conhecidas entre os Yawanawá como as primeiras mulheres que passaram
pela formação para tornarem-se pajés, no ano de 2005, processo que até então só era permitido para homens.

O povo Yawanawa sempre foi conhecido por ser um povo guerreiro e pelos seus grandes pajés.
Depois da colonização, da chegada dos patrões seringalistas e a evangelização dos missionários a cultura e a espiritualidade ficou enfraquecida mas não se perdeu, ficou viva e forte nas mãos dos pajés Tata e Yawarani
que sobreviveram todas essas mudanças na história contemporânea.

Hushahu e sua irmã perceberam que Tata e Yawarani já estavam anciãos (mais de 90 anos), e partindo para o mundo espiritual levariam com eles todo o conhecimento tradicional milenar, espiritual de nosso povo.
Vendo que nenhum homem que em sua tradição tinha a permissão de se formar como pajé, não tinham coragem e tão pouco iniciativa para poder aprender e dar seguimento a espiritualidade que estava em risco de perda. Foi essa a principal motivação de Hushahu para dedicar sua vida a aprender sua espiritualidade e conhecimento tradicional.

No começo essa iniciativa delas foi rejeitada e repudiada por algumas lideranças da aldeia, eles acharam que elas
por serem mulheres não tinham direito a esse conhecimento sagrado e que não eram fortes o suficiente para fazer uma dieta tão rígida. Isto significou para eles quebrar uma tradição dentro da tradição.

Mas os velhos pajés falaram que coisas do espírito não tem nada a ver com o gênero ou sexo, pois são conhecimentos espirituais que recebem diretamente do espírito para as pessoas. E foram eles que encorajaram para fazer a iniciação de Hushahu e sua irmã como pajés.

Depois de um ano de dieta rígida, as duas passaram a ser respeitadas enquanto lideranças espirituais em suas comunidades, e abriram caminho para outras mulheres Yawanawá, como suas filhas, irmãs e sobrinhas, entrarem no estudo e na formação para se tornarem pajés.

(Fonte do texto: Catálogo Prêmio Culturas Indígenas 2007)